O que é “Agricultura Celeste” ?!

agricultura celeste

 

A astrologia já foi chamada de “a mãe de todas as ciências”, e seus símbolos têm sido parte integrante da maioria das religiões, numa forma pura ou disfarçada, porque constituiu quase que certamente a primeira tentativa do homem no sentido de construir um sistema de interpretação da ordem que, a seu ver, era inerente à sequência de fenômenos naturais e às inter –relações dos muitos componentes de todos os processos integrados da existência. Os animais vivem segundo a essa ordem da natureza e de acordo com o ritmo imutável dos dias e das estações, mas o fazem compulsivamente e, até onde sabemos, sem aquilo que chamamos de consciência que lhes permite seguir impulsos interiores e a reagir a estímulos externos de uma maneira que podem ignorar ou transcender o caráter compulsivo dos instintos.

O homem é dotado daquilo que chamamos de livre-arbítrio, e isso é, ao mesmo tempo, sua grlória potencial e sua maldição. Visto que não é compelido inconscientemente a agir de acordo com a ordem da natureza, salvo em alguma áreas puramente biológicas sobre as quais praticamente não tem controle, ele pode viver uma existência desordenada. Essa possibilidade pode, em geral , ser tão perigosa, e em muitos casos tão desconcertante – criando desse modo uma tremenda insegurança básica – que todas as sociedades humanas organizadas têm sido impelidas não só a construir sistemas de ordem (tabus, leis, regulamentos), como a conferir a esses sistemas uma sanção religiosa e cósmica ao afirmar ( e, aliás, ao crer firmemente) que eles refletiam a ordem misteriosa e ainda inexpugnável inerente ao universo. Todas as ciências são tentativas de compreender essa ordem universal da natureza, e todas as técnicas ou tecnologias constituem empreendimentos mais ou menos coerentes ou sistemáticos destinados a aplicar os princípios ou leis que, de uma maneira ou de outra, poderiam decorrer de uma tal compreensão.

A astrologia é “a mãe de todas as ciências” porque se enraíza na experiência mais evidente, mais universal, de ordem que a vida humana proporciona nesta Terra – a ordem manifestada pelos movimentos periódicos do Sol, da Lua, das estrelas e planetas. Ninguém pode negar que essa ordem existe. Ela foi medida primeiramente por relógios-de- Sol e depois por relógios comuns. Dela deriva nosso conceito de tempo objetivo, graças ao qual nossas atividades sociais e pessoais podem ser distribuídas com precisão e eficácia de modo a aumentar ao máximo nossa eficiência e segurança – especialmente quando cessamos de ser totalmente compelidos pelos ritmos internos de nossos instintos biológicos e usamos coletiva e individualmente nossas energias para a busca de metas não-biológicas, intelectuais ou idealistas.
Uma vez que as atividades da humanidade operam em função de tais metas, a astrologia tem inevitavelmente que se tornar um sistema coerente de símbolos. Ela usa a ordem visível traçada pelos movimentos regulares dos corpos celestes como um arquétipo – um modelo cósmico – para a determinação de modo mais eficaz em que os seres humanos podem ordenar suas vidas dentro de um quadro de referências cada vez mais artificial e, por fim, transcendente. A astrologia pode então ser usada para dizer aos homens como eles podem preencher melhor as potencialidades inerentes à sua natureza e, desse modo, levarem uma existência mais plena e mais segura.

Quando os seres humanos sentem um impulso interno de entrar no caminho da transformação radical, que, conforme lhes dizem, podem leva-los, se tudo correr bem, a um nível de consciência e atividade trans-humano, eles, mais do que nunca, precisam descobrir algum tipo de ordem na jornada incerta e perigosa que estão em empreender. A astrologia pode oferecer-lhes ao menos algumas diretrizes pertinentes, mas é preciso ser uma espécie de astrologia que use os velhos símbolos de modo a projetar uma nova luz sobre as experiências naturais da vida humana nos níveis da atividade biosférica ou social, ou que use novos símbolos pertinentes às experiências inéditas que podem ser esperadas “pelo Caminho’.

Dane Rudhya

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